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Tendências para o futuro e lideranças melhores
APP | UBERLÂNDIA

Acontece nesta terça-feira (3) o almoço de negócios da APP Uberlândia. Dois convidados vão falar sobre tendências para o futuro e também sobre como construir lideranças melhores nas empresas. O encontro terá a participação de Daniel Camperoni Andreolli, consultor de marca da Algar e Denise Pellizon, instrutora Master Mind da Fundação Napoleon Hill. O almoço é por adesão e vai acontecer no restaurante do Lazinho. Mais informações pelo telefone 99975-6877 ou pelo link https://goo.gl/Py9oaB

ARTIGO

Receitas prontas: será que funcionam no mundo da comunicação?
Por Adriana Sousa, jornalista e produtora de conteúdos empresariais. Professora de Jornalismo na ESAMC Uberlândia

Desde que a produção de conteúdo tornou-se algo mercadologicamente interessante, constantemente somos abordados em revistas, websites ou mídias digitais com um verdadeiro receituário para tudo. Na linguagem do marketing, são uma espécie de “isca”, para “pescar” a atenção do leitor que pesquisa na internet sobre determinado conteúdo de seu interesse. Alguns exemplos fictícios:

- 10 passos para ganhar dinheiro com a internet
- 7 dicas infalíveis para conquistar seguidores
- 5 conselhos dos grandes CEOs

Costumo ler alguns desses textos por curiosidade, mas se tem uma coisa que aprendi em mais de 20 anos de comunicação é que não existe receita de sucesso infalível quando se trata de influenciar pessoas e levá-las a refletir, a estabelecer laços com as organizações. As tais “dicas infalíveis” atraem, mas não criam relacionamentos ou percepções sobre marcas. Isso vai depender da história que cada empresa tem para contar, da qualidade de seus relacionamentos, do alinhamento entre o que ela tem para dizer e aquilo que interessa aos seus públicos.

Há empresas que chegam a inventar histórias bonitas, no padronizado enredo de origem humilde do fundador, muito trabalho para o crescimento, crises e desafios e, por fim, as glórias do momento presente. A saga do herói fundador, dos líderes abnegados. E assim, todas as histórias se parecem. Mudam os personagens, mas o enredo pouco varia. Mas há empresas que realmente tem muita história para contar. Aqui em Uberlândia, a gente pode citar Algar, Martins, Café Cajubá, Praia Clube, Erlan, Unimed, COT, entre tantas outras, com trajetórias que realmente ajudam a estabelecer laços com seus públicos, inclusive com os consumidores.

Assim como pessoas, organizações se desenvolvem de diferentes maneiras e contar suas histórias é algo que exige muito mais que a capacidade de se criar um enredo a partir do que o mercado vem apresentando como modelo. É preciso ouvir pessoas, organizar documentos, analisar publicações antigas, entender os caminhos, os sucessos, os fracassos, as lideranças, as pessoas simples. É o tecido dessas histórias que vai resultar em uma fotografia, uma imagem em que haja alinhamento entre o que a organização diz que é e a forma como é vista por seus colaboradores, imprensa, clientes, concorrentes.

Por isso, desconfio sempre das receitas prontas, das dicas matadoras, das padronizações na hora de gerar conteúdo relevante para as marcas. Para conhecer alguém e contar sua trajetória, é preciso conhecer, conviver, aprofundar-se. Entender de negócios, de comunicação, de pessoas. Gostar de gente e saber ouvir.
Talvez, como na culinária, as receitas sirvam como ponto de partida. Depois, uma pitada de conhecimento, duas de ouvido atento. A mistura dos ingredientes deve ser cuidadosa e o tempo de cozimento vai variar bastante. Depois de pronto, a melhor parte é saber se os convidados gostaram. E bom apetite!